segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Uma visão sobre os "rolezinhos"

    Antes de abrir uma pequena abordagem sobre os "rolezinhos", é preciso enfatizar a mentalidade do funk ostentação, o qual é inerente à sociedade da imagem e do consumo. Ou em outras palavras, podemos afirmar que esse gênero, repudiado por vários setores da sociedade, é apenas um reflexo do sistema ao qual estamos inseridos. Então, quando estiver escrito "ostentar", refiro-me à prática central de uma população que presa, acima de tudo e de todos, por sua imagem.  
   Vamos à reflexão principal, pois:  
   Na visão dos participantes dos "rolezinho", o movimento é apenas uma forma de diversão - já existente no país há décadas - que, devido a uma nova conjuntura (caracterizada por Milton Santos como meio técnico-científico-informacional) foi amplificada, massificada por meio das redes sociais, por isso abalou o status quo.
    Do outro lado do campo temos uma população vendo seus "privilégios" serem tomados. A parcela da sociedade que já frequentava shoppings - logo, com poder aquisitivo maior - não mais tem a possibilidade de "ostentar" o fato de poderem frequentar esses templos do consumismo. Assim, tomando por base o contexto ainda da sociedade da imagem, essa perda aparentemente banal atinge, na verdade, o âmago da estrutura social vigente.
    Essa atual situação é analoga a não tão distante discussão acerca da ascensão social das empregadas domésticas, na qual as classes sociais mais favorecidas viram seus "privilégios"de viajar para Nova Yorque, por exemplo, serem banalizados e, por conseguinte, a imagem a ser "ostentada" foi desmantelada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário